Domo prohibitus
Gabriel ficou olhando para aqueles pauzinhos
desajeitados em seus dedos gordurosos do rolinho primavera. Será que "O
Cara" apareceria hoje? Nossa, como posso gostar destas coisas gordurosas?
Sr Liang me olha com uma cara de quem vai me servir no próximo Yakissoba.
Mas é nojento tanta gordura assim. A placa diz: " Visite nossa
cozinha". Nem a pau, penso. Acho q eu não volto nunca mais aqui. Bom, meu
"nunca mais" dificilmente se prolonga por mais de duas semanas.
Voltei a pensar no cara, mas estava pensando em ir embora ou pedir
um daqueles bolinhos com banana caramelados...
O cara tinha aparecido ao par de umas 3 semanas.
Bom, aparecido não era bem a questão. Eu estava na portaria do prédio que eu
morava de papo com a mulher que trabalha na portaria. A “Tere”. Acho que o nome
dela é “Tereza, mas nunca perguntei. Oi, sou o Gabriel e "to" vindo
morar no 407. Eu sou a “Tere”, respondeu. E de lá pra cá
tenho chamado ela de “Tere”. Todo mundo no prédio chama ela de “Tere”.
Acho que até o marido e os filhos dela não sabem o nome dela. Aí vira “Tere”
mesmo. A “Tere” tem dois filhos, uma menina e um menino. O menino é meio
bichinha, mas também é meio cedo para achar isso.
Estava eu de papo com a “Tere”, que era a única
naquele prédio que eu conhecia. "O Cara" veio caminhando
da porta em frente do prédio. Não entendo por que aquele prédio tem
um portão e depois que tu entras uma porta logo em seguida, coisa de meio
metro. A “Tere” tinha acabado de abrir o portão e "O cara" entrou,
passou por nós e cumprimentou a “Tere”, virou para mim, me deu um sorriso e
disse "E aí?", foi até a caixa de correio, pegou as correspondências,
pegou o elevador e subiu. O cara me cumprimentou. O cara sorriu pra mim.
Achei muito estranho que numa cidade como Porto Alegre, que eu estava a tão
pouco tempo as pessoas mal e mal se cumprimentavam, aliás, mal se olhavam. Às
vezes alguém na rua esbarrava em mim como se eu não existisse e continuava seu
caminho. Comecei a pensar que algo havia acontecido e eu estava invisível.
Era como seu um portal tivesse se aberto no momento que eu havia descido na
rodoviária e punt...um raio me atingisse e eu havia
ficado invisível.
Tinha medo de ir muito longe. O mais longe que eu
ia era, nas minhas férias que eu passava uns dias na casa da minha avó que
morava num sítio, coisa de uns 15 km de minha casa. Minha cidade era pequena,
pacata e calma. Típica cidade litorânea e de interior. Não que
tivesse praia, mas a praia ficava a coisa de uns 10 km da cidade mesmo. Todo
mundo se conhecia. Todo mundo sabia (ou pelo menos achava que sabia) da vida de
todo mundo. Os velórios eram eventos que a cidade toda se reunia por uma noite
inteira para falar bem do defunto. Sim, porque todo mundo que morre em cidade
de interior vira Santo. Automaticamente. Todos os erros, fofocas e pecados são
apagados no velório. "Um Santo, bom marido, ótimo pai..."
Eu passava as tardes da minha eterna juventude,
porque todo adolescente acha que sua juventude é eterna e que o tempo passa
devagar e não vê a hora de fazer 18 anos e atingir a maioridade, para poder
beber e tirar a carteira de motorista., mas se tirar carteira de motorista não
vou poder beber quando estiver dirigindo. Bom, foda-se, porque eu não dirijo
muito mesmo e bebo muito. Aliás, esta história de só beber depois dos 18 é
balela, pois no interior a gente enche a cara desde cedo. Não há muito o que
fazer mesmo. Então acabamos por encher a cara direto, tentando fazer as cores
da cidade pacata e cinza ficarem mais interessantes pelo período que
estivermos ali. Um dia, saio, um dia eu me mando. Um dia vou fazer faculdade em
Santa Maria ou Porto Alegre e aí sim, vou me libertar. Vou viver a vida que eu
sempre quis.
Acabei vindo pra Porto Alegre mesmo, ou Poa, como
chamam os nativos. Cheguei numa tarde abafada de março, lembrando da música do
Kleiton e Kledir: "...vou pra Porto Alegre, tchau..." musiquinha
velha para uma realidade nova...eu estou solto e livre em Porto Alegre. Meu pai
alugou um apezinho minúsculo no centro da cidade, perto do ponto de ônibus que
me levaria ao campus todo dia. E minha sonhada liberdade chegou. Eu acordava todos
os dias, ia pra faculdade, voltava e ficava trancado no apto. Na sexta-feira eu
saia da aula e ia direto pra rodoviária e voltava pra minha cidade,
só retornando a Poa no domingo de noite e as vezes na segunda de manhã.
Não conhecia nada, ninguém e pela cara de homem invisível que eu tinha, acho
que ia passar os quatro anos da faculdade sem ninguém me perceber. Mas aí eu
voltaria à minha cidade, com o diploma embaixo do braço e aí as coisas seriam
diferentes. Agora entendo por que o Vítor e o Ricardo voltaram pro interior. Tu
és invisível nas capitais, mas na tua cidade de interior com menos de 14 mil
habitantes, tu retornas com um diploma de curso superior feito numa
universidade Federal...aí tu és o cara...tu és o bom...
Passada umas 3 semanas que eu havia visto o cara,
já começava a duvidar de que ele existisse. Tinha sido o único estranho nessa
cidade imensa que havia me visto e falado comigo. Será que ele não era um Homem
invisível vindo do interior como eu, pôr isso que ele conseguia me enxergar??? Bom,
a “Tere” também me enxergava, mas ela não conta. Pois ela é paga pra enxergar
tudo...além do mais fiquei sabendo que ela frequenta religião afro e estas
pessoas acabam vendo coisas que até Deus duvida...então, por que ela não
poderia ver dois homens invisíveis?
Estava eu na portaria do prédio coma “Tere” e a Andréia
chegou, como sempre, louca, suada e de bicicleta, aos gritos com a “Tere”. Sem
mais nem menos começou conversar com a “Tere” e comigo, como se fossemos amigos
há muito tempo e tínhamos acabado de nos ver. Começo a desconfiar que não sou
invisível. A Andréia (eu sei o nome porque a “Tere” falou) começou a falar do
problema no computador dela, algo com internet. Eu entendo alguma coisa de
internet. Ok. Vamos lá em casa e tu vê. Pegamos o elevador e começamos a subir.
Ela morava no último andar. Entramos e um gato grande e preto como o breu veio
correndo. Não desgosto de gatos, mas também não amo. São seres estranhos, mas
indiferentes para mim. É como aquelas almofadas que as pessoas colocam nos sofás
ou poltronas, mas nunca ninguém repara.
Estávamos conversando sobre computador - internet -
física quântica quando batem na porta de uma maneira rítmica. Quando a Andréia
abre a porta, entra "O Cara". Mmm....ele existe, pensei. O Cara
entra, somos apresentados formalmente e ele começa a conversar com a Andréia e
comigo de maneira igual, como se fossemos íntimos. Gosto disso. No começo
confesso que fiquei um pouco assuntado. Achei que a Andréia ia me comer. Não
seria má ideia, visto que desde que terminara o meu namoro com a Michele que eu
não dava uma. Apesar que com a Michele nunca demos uma. Dávamos no máximo uma
meia, tão pouco era. Uma pela minha pouco experiencia e afobação. Mas quando
comecei a pegar jeito ela começou a perder o dela. Eu mal começava e ela começa
a resmungar, se queixar, dizendo que eu estava demorando, que estava doendo,
que tinha dor de cabeça, que estava a putaqueopariu.... O namoro durou pouco
menos de 2 anos, com tentativas de sexo uma vez por mês. No máximo. No final do
namoro era somente ficar as vezes de mão dada e um beijinho com gosto de bala
Banzé. Coisa morna. Aí um dia eu disse que ia embora pra Porto Alegre e ela
disse -"Hãham"...aí eu disse que ia ficar difícil de nos ver tão
seguido e ela repetiu o pseudo-grunhido. "Se ela der este grunhido de novo
vou embora e deixo ela sozinha aqui na praça - pensei. Aí disse que era legal a
gente não ficar com compromisso sério e tal e ela disse -pode ser - ainda bem
que não foi o grunhido senão eu metia a mão na cara dela. Não que eu fosse
meter a mão mesmo, depois desta história da Lei Maria da Penha a
gente tem que pensar bem antes de fazer uma coisa dessas. Bom, esta foi a
última vez que falei com a Michele. Um mês depois estava eu embarcando pra Poa
e agora estou aqui, no apto da Andréia, bem mais tranquilo que o cara tenha
chegado pois eu estava com medo de que ela tentasse me comer. Ela era bem mais
alta que eu, e isso meio que me dá pânico. Mulher mais altas são muito ativas,
dominadoras. Pelo menos eu pensava assim. Acabei descobrindo que o nome do cara
era Homero e que ele e a Andréia era amicíssimos, quase irmãos, com a diferença
que a Andréia fuma maconha dia e noite e o cara não. Acho que vou chamar ele
assim o resto da vida. Não que ele tenha me chamado a atenção. Apenas pelo seu
sorriso simpático num momento que eu me achava invisível para todos, acabou
valendo. O Cara deveria ter uns 28 anos (mais tarde eu descobri que ele tinha
32), cabelo preto, curto, já ficando grisalho dos lados. Corpo normal, um pouco
mais alto que eu. Um ser comum que passa desapercebido da maioria dos
seres na rua, principalmente numa cidade como Porto Alegre em que ninguém
enxerga ninguém nas ruas....as vezes me dá vontade de sair pelado na rua e ver
se alguém vai notar...acho que não. Estes dias passei embaixo de um viaduto que
fica no caminho de casa pro ponto de ônibus e tinha um mendigo deitado no chão
dormindo. Sua pouco roupa eram apenas alguns trapos sujos e rasgados. O resto
da sua bermuda estava nos joelhos e seu saco aparecia perfeitamente virado para
a rua, como parte de seu pau. Acha que alguém, ficava olhando? Nada....acho que
fui o único que reparou. Fiquei uns dois dias sem conseguir almoçar com aquela
cena, acho que é por isso que as pessoas em grandes cidades acabam treinando
para não verem as coisas, a fim de não perder o apetite ou ficar sem dormir na
cama à noite.
Passei a ir com certa frequência na Andréia. Uma
para não me sentir tão solitário em uma cidade grande, outra, que era a única
pessoa que eu conheci e me ouvia. Mas ainda, as vezes o cara aparecia e como
ele estava sempre contando mil histórias e vivia contando besteiras e fazia eu
rir. Eu gostava de rir das bobagens dele, e ele falava com um jeito engraçado e
desprovido de sotaques. Como ele morou em vários lugares do Brasil, acho que
seu sotaque ficou mais neutro.
Numa noite de verão, quente e abafada, desci para a
portaria para tentar refrescar um pouco. O prédio era muito antigo, daqueles
que tem um pé direito de uns 4 metros na portaria, sendo um corredor estreito,
acabava sendo um lugar bem ventilado no verão. Fiquei pro ali, meio que papo
com a “Tere”, meio que de olho no movimento da rua. Como o prédio ficava em uma
das principais avenidas da cidade e em frente a uma das maiores universidades
federais do estado, o movimento era grande.
Fui algumas vezes para a frente do prédio, havia
uma lua azulada no céu enorme. Mas meu medo interiorano de ser assaltado me fez
recuar e ficar na portaria mesmo. Eram umas 19h quando o cara chegou, com uma
cara de cansado e sorriu para mim. Sempre que eu o via, acabava olhando com um
ar de curiosidade e amizade, mas algo nele me incomodava, me desassossegava.
Tinha vontade de entender mais o que acontecia, ao mesmo tempo que gostava de
sua companhia. Ele bateu um papinho rápido com a “Tere”, pegou as
correspondências e disse q ia tomar um banho. Subi com ele no elevador, com a
desculpa de ir lanchar. Ao chegar no meu andar, ele, pela primeira vez me falou
o número do apto (era no mesmo andar da Andréia) e disse que eu ficasse à
vontade para aparecer quando quisesse. Achei maneiro, seria mais uma pessoa que
eu conheceria e que podia diminuir minha solidão.
Passei a frequentar o apê dele, com certa
frequência. Fiquei sabendo que ele era formado em hotelaria, que trabalhava
como gestor de RH de um grande hotel, que era do interior e pouco ia para sua
terra natal. Era solteiro e dividia o apê com um amigo do interior. Ainda,
tinha uma cadela salsicha bem simpática até. Eu achava estranho ter cachorro em
apartamento. na minha cidade cachorro é na casinha, no pátio, não entra dentro
de casa. Mas começava a notar que algumas maneiras diferentes do meu mundo
começavam a me deixar mais acostumado com a cidade grande. Eu ser invisível,
ter moradores de rua, o povo criar cães dentro de casa. Já me sentia
metropolitano.
Numa destas noites, estava cansado de estudar
cálculo. Tinha uma prova difícil na outra semana e na última, havia tirado uma
nota muito baixa. precisava recuperar para não ter que fazer exame, ou pior,
repetir a cadeira. Pelo menos na universidade apenas repetimos a cadeira que
reprovamos, não precisa repetir tudo de novo como no ensino médio.
Às vezes, meus pensamentos saiam totalmente fora do
assunto da matéria e eu precisava dar uma parada. Meu apartamento era um
cubículo de 2 por 3, com um banheiro anexo. De mobília, apenas um colchão de
solteiro no chão e uma mesinha pequena de madeira com 2 cadeiras que eu
estudava. Meus pais possuíam um pequeno mercado na minha cidade e se não fosse
pela universidade ser federal e gratuita, minha permanência na capital se
tornaria inviável.
Resolvi sair um pouco do apartamento abafado e dar
uma volta. Fui até a portaria, mas a “Tere” não estava e no lugar dela estava a
Branca, uma senhora mais idosa do que aparentava, mal-humorada e grosseira.
Resolvi ir à Andréia. bati à porta e nada, apenas o gato veio miar na porta. Ao
retornar ao elevador, vi que havia luz embaixo da porta do cara. Fiquei uns
minutos parado no escuro do corredor pensando se batia ou não. Ainda não
entendia aquele frio na barriga e uma sensação incomoda que me atingia quando
estava perto dele. Resolvi arriscar. Era melhor dar umas risadas e bater um
papo com alguém inteligente do que aguentar o sufoco do meu apartamento. Bati
de leve, com a esperança de que ele estivesse no banho ou não ouvisse a porta
mesmo tempo que eu desejava que ele estivesse em casa. Sério, não sei o que está
acontecendo comigo. Ele abriu a porta após uns segundos. Senti movimentação
dentro antes, acredito que ele deveria estar sem camisa e foi colocar alguma
coisa. Estava apenas de shorts curto e camiseta. Entrei e começamos num papo
sobre o mundo, a vida e coisas nerds. Ficava impressionado sempre que
conservava com ele sobre a quantia de coisas que ele sabia, que ele tinha
vivenciado e experimentado. Acho que nunca havia conhecido alguém assim.
Neste dia em particular, ele estava mais falante.
As vezes a boca dele ficava somente mexendo e eu não prestava muita atenção no
que ele falava, mas ficava impressionado com sua eloquência e vivacidade. Ele
fala de coisas com tanta paixão que não traz uma vontade de ouvir mais, saber
mais. As vezes parecia que ele brilhava, de tanto entusiasmo.
Quase por volta das 21h30, ele perguntou se eu não
gostaria de ir ao bar ao lado, comer algo. Disse que havia um Xis muito bom. Já
havia visto o bar da janela do ônibus, quando eu passava, mas não me sentia
muito confortável de sair no centro da capital á noite sozinho, então, nunca
havia ido. Mas notava sempre que o lugar era geralmente ocupado por estudantes.
Chegamos no bar e nos sentamos numa mesa aos
fundos, vi que o cara brincou com o dono do bar, pediu uma cerveja e um xis
para ele e para mim. Eu ia acompanhar o cara na cerveja, fiquei com vergonha de
dizer que não era muito dado a bebida e geralmente apenas bebia refrigerante.
Os xis não havia chegado ainda e já pedíamos a segunda cerveja, quando uma
mulher monumental entra no bar, em direção ao banheiro. Não muito alta, loira,
com seios enormes e uma bela bunda, numa roupa muito justa. Fiquei encantado
com as curvas e não me contive, comentando com o cara que era um mulherão. Ele
caiu na risada e perguntou se eu sabia que era uma travesti. No momento do
comentário não consegui entender, devagar fui pensando no que ele havia dito.
Não conseguia imaginar que aquela mulher tão linda poderia ser uma travesti.
Não havia referencias em minha pequena cidade e, no momento, aquela situação me
causou estranheza. O cara riu muito e disse que não acreditava que eu não sabia
da existência de travestis, ou pessoas trans, como ele se referiu. Começou a
explicar a questão, porém eu não conseguia pensar direito no que ele falava,
tal meu estupor. Veio o xis e com ele a terceira cerveja. O cara mudou de
assunto e ficou falando outras coisas rotineiras, mas eu voltava no assunto,
como se fosse uma maneira de meu cérebro se habituar e passar a entender. Após
o xis, veio a quarta cerveja. Nesta altura do campeonato, já estava bem
chapado, pois não estava acostumado com o álcool. Mas um formigamento bom me
subia o corpo, bem como uma sensação familiar de conforto e segurança. Gostava
deste cara, gostava da sua companhia e, naquele momento, sua presença não me
causava mais desconforto.
Subimos o elevador e ele me acompanhou até o
apartamento, talvez com medo de que eu não estivesse bem. Sentamo-nos no
colchão no chão e bebemos um resto de refri que tinha na geladeira. Ficamos
conversando e me deu um sono muito grande. Fechei um pouco meus olhos para
descansar e não sei quanto tempo dormi. Acordei com o cara desligando a luz e
me chamando, dizendo que estava indo embora. Ainda não sei bem o que aconteceu,
e hoje, recordando, as ideias são vagas. Abri um pouco os olhos e vi aquele
rosto masculino me olhando com cara de preocupado, perguntando se estava tudo
bem que ele iria embora. Pedi que ele deitasse um pouco comigo, já o puxando
para o colchão. Aconcheguei-me em seus braços e senti que algo nele estava me
cutucando na bunda. Comecei a tirar a calca dele com pressa, suas cuecas e
pressionar meu rabo naquele pau, já bem duro, forçando uma penetração. O pau
entrou sem muito esforço, não era grande, mas estava muito duro e firme. Não
era a minha primeira vez, mas anteriormente haviam acontecidos algumas
brincadeiras de meninos do interior, onde um come o outro, chamado de
troca-troca. Agora era diferente. Eu, com 240 anos, sendo enrabado por um macho
de mais de 30 anos, já experiente e cuidadoso. Não sei quanto tempo ficamos
nesta situação, mas em dado momento o cara pegou no meu pau e começou a me
masturbar, enquanto metia. Eu sentia os pelos de sua barriga roçando na minha
bunda, suas coxas rocando a minha e o vai e vem me excitava cada vez mais. Seu
rosto bem grudado ao meu, louco para me beijar, mas se contendo, por não saber
se eu retribuiria. Aproximei meus lábios dos dele e rocei de leve minha língua
em seu lábio. Neste momento, um arrepio me percorreu o corpo todo e estremeci
num jorro que voou longe...gemia baixinho me deliciando com a sensação de gozar
farta e abundante com um pau entalado no meu rabo.
O cara não gozou. Adormeci em seguida e não lembro
de ter visto ele sair. Apenas acordei no dia seguinte com uma forte dor de
cabeça, mas com uma sensação boa, apesar do rabo estra dolorido.
Ainda hoje, passado tanto tempo não sei dizer o que
senti no momento, mas por não saber direito o que eu senti e o que ocorreu,
nunca mais procurei ele. Sei que, algum tempo depois ele começou a namorar um
cara e foi embora, morar com ele. Nunca mais o vi. Continuei minha vida de
estudante, tive algumas namoradas, mas aquela sensação nunca mais experimentei.
Hoje, sentado no Seu Liang, me deu vontade de pedir novamente os rolinhos primavera. Estou com a Liamara, minha namorada nos últimos 5 meses. Ela é bonitinha, não muito esperta, mas uma pessoa do bem. Saímos do restaurante e demos um pulo na Praça, onde acontecia a feira do livro. ficamos olhando algumas obras, folheando e trocando ideias. Ao virar para ir para outra banca, noto em uma banca não muito distante uma figura conhecida. Meu coração dispara e minha garganta fica apertada, secando minha boca. Parto a mão da Liamara, que estava distraída com um livro. HA uns 100 metros, o cara estava olhando algumas obras. Já passado dos 40 anos, estava mais gordo e com os cabelos mais grisalhos, mas aquele jeito de moleque dele se acentuava, bem como seu brilho natural. Ele não me viu, mas ao sair da banca, notei que ele estava de mãos dadas com outro cara, bem mais novo que ele. Enquanto eles se afastavam, fiquei olhando para ambos, imaginando se aquela mão poderia ser a minha.

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