A Maçã - Breve ensaio sobre ciúmes





 "Quando eu te escolhi

Para ficar junto de mim

Eu quis ser tua alma
Ter teu corpo
Tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais



Amor só dura em liberdade

O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar"

A Maça
Raul Seixas
"
O ciúme é uma manifestação provocada pela falta de confiança no sentimento do outro, que é transformada em medo de perder o parceiro."
fonte: www.significados.com.br

O ciúmes de amor surgiu no mesmo momento que o amor. Ao se ter em mente que aquele sentimento era único e forte e, poderia nos fazer esmorecer, passou-se a ter medo da perda e, esta, gerou o ciúmes. A progenitora do dito cujo foi a insegurança, fertilizada pelo medo. 
Nas artes, literatura, música, poesia ele se faz presente, às vezes tão forte que são temas únicos, tal o imortal de Machado de Assis, Dom Casmurro, onde Capitu sofre pelo egoísmo e possessividade causado pelo amor doentio.
Na música acima, Raulito fala bem a verdade, onde o amor para durar precisa estar livre. Ciúmes é sinônimo de vaidade. Sentimos ciúmes por insegurança. Sentimos ciúmes por medo de perder. Sentimos ciúmes pela dor da suposta rejeição.
Este tema tão amplamente discutido e estudado, tem diversas facetas. Escolhi aqui falar do ciúmes amor carnal. 
Por ele se sofre, por ele se matou e se mata. Por ele se trai. Por ele nos afastamos de amigos, familiares. Por ele enlouquecemos e deixamos de ser felizes. Tal como uma sombra, ele paira e nos cega e, na maioria das vezes não há muito o que se fazer. Creio que o melhor antídoto seja o amor próprio, a auto-confiança.

Sempre sofri muito por ciúmes. Ciúmes posse, ciúmes do passado. Várias noites de insônia. ligações na madrugada, recados no celular, desabafos e angústias. Ele é como uma doença que envenena nosso sangue e nos tira a paz e capacidade de raciocínio. Nos corrói por dentro tal caruncho.

Aprendi a conviver com o dito cujo. Hoje estou bem mais tranquilo, mais feliz. O passado continua incomodando. Mas aprendi a me valorizar e gostar mais de mim. Aprendi a lidar com este sentimento de posse. Não consigo mudar o passado e ele estará sempre a incomodar. Mas consigo drenar este veneno e não deixar mais que ele tire minha paz. Aprendi a confiar.




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