Maionese filosófica

Sou um apaixonado por maionese. Fato. De todos tipos, todas cores, todos sabores. Mas a que mais me dá prazer é a de caneca. Muito antes do bolo de caneca, do pudim de caneca, surgiu a maionese de caneca. Aprendi a fazer ha alguns anos (bons anos, diga-se de passagem), com minha amiga Vânia, que dividimos residência e existência por um breve período em santa Maria.

Até então, eu fazia de liquidificador, como havia aprendido com minha mãe. Até descobrir a de xícara. Hoje esqueci como se faz a de liquidificador.
Acho que a cozinha tem que ser prática e rápida, mas das antigas me rendo a poucas coisas. Um doce de leite que fica cozinhando por 12 horas em fogo baixo, um costelão 12 horas, um barreado que cozinha por 24 horas. E a maionese de caneca.
A receita é simples, ovos e óleo. É o básico. O resto são complementos. Sal. Limão. Mostarda. 
O segredo está na quantia de óleo que se coloca. Às vezes desanda. Às vezes parece desandar. As vezes cansa o braço. As vezes dá uma preguiça enorme, mas o resultado final compensa.
A vida se dá do mesmo jeito. Os ingredientes são simples, temos a base (os ovos), que é o elemento principal. Estes ovos somos nós puros. Seres humanos. Com toda nossa riqueza e pobreza. Com todas nossas características. O óleo é o que a vida nos dá. Família. Amigos. Profissão. Lazer.
Sem ovos não dá. Mas o óleo vem aos poucos, complementando e misturando os dois. Quando deixamos os cueiros, começamos a misturar esta "maionese". As vezes parece que a vida dá uma desandada, às vezes desanda mesmo. Temos que recomeçar o processo, usando a maionese desandada ou jogando tudo fora e começando de novo.
Muitas vezes batendo maionese, acabava pensando na vida como uma maionese e isso fazia todo sentido. Pra mim ao menos.
Como já dito antes, sou o eterno-do-contra (contra religião, contra partidos, contra regras, contra sistemas). Também sou contra superstições.

Superstições da maionese: bater pro mesmo lado (pode bater pro lado que quiser); bater sempre com a mesma mão (pode trocar); começar uma pessoa e outra continuar (pode-se fazer um revezamento, sem problemas), e por aí vai.

Maionese de caneca: pegue uma caneca de bom tamanho (pode ser de café, porém sem o café dentro, pliss), coloque uma gema de ovo de galinha cozido, um pouco de óleo, um pouco de sal e misture tudo com um garfo. Coloque uma gema crua e continue mexendo e acrescentando óleo aos poucos, ate encher a caneca. Se quiser coloque sumo de limão ou um pouco de mostarda.

Bom apetite e boa vida!


Comentários

Lili disse…
Tem sentido...:-P

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