Valores reais

Muito me perguntam em minhas palestras sobre o conflito de gerações. X, y, z e por aí vai. Sou um legítimo X, mas, por ter dado muito tempo aulas aos Y, acabei me "adaptando" ao estilo da Geração Y e me modificando. Hoje tenho muito do Y, em quesito de buscar equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho, em ter tempo para a família, para um futebol, para uma cerveja com os amigos. Isso tenho de sobra e, preciso cuidar deste lado com tanto cuidado quanto cuida da minha carreira.

Trabalhei muito para construir isso. Muitos finais de semana, muitas horas intermináveis de trabalho. Hoje posso ficar mais tranquilo pois fiz uma base sólida e firme lá atrás. os Y em geral não esperam muito para isso e não querem construir uma base sólida hoje para aproveitar amanhã. Querem hoje. E isso nós Geração X precisamos ensiná-los.

Com os da Geração Z eu me preocupo, pois eles são bem mais exclusivistas. Nascidos a partir dos anos 2000, já entraram no mundo na era digital. Já nasceram com bluetooth incluso no pacote como costumo dizer. Crescem isolados do mundo, trancados num quarto rodeados de games, emails, facebooks, twitters, whatsapp. Suas amizades são virtuais e quase não há contato humano real. Iniciam relacionamentos virtuais e terminam da mesma forma. Acabam perdendo a noção de valores e do ser humano. basta um simples click e se exclui para sempre um amigo das redes de conexão. Na vida as coisas não são assim tão simples, pois as pessoas são dotadas de sentimento.

Confesso que sou muito ligado a redes sociais. Tenho (este) Blogger, tenho Facebook, Twitter, Flickr, You Tube, Instagram, Foursquare, Tumblr e LinkedIn. Fico ligado 24 horas por dia.

Mas adoro uma cerveja com os amigos. Adoro ficar de pé no chão na grama de casa, vendo meu cão brincar com a bolinha, enquanto passo o pé nas costas do gato vermelho e preguiçoso. Adoro estar com amigos, batendo papo, contando besteiras e relaxando. Adoro churrasquear com minha família, falando de como a vida é engraçada e besta às vezes. Adoro cozinhar para amigos, recebe-los em casa com roupa de chef de cozinha. Amo almoçar num chapão com pessoas que amo e que não conseguiria mais viver sem. Adoro abraçar meus sobrinhos tão forte que não me dá vontade de largar.  Adoro um chimarrão demorado e vadio, ao por do sol. Adoro ficar sentindo o vento tocar meus cabelos, enquanto mergulho os pés no mar e fecho os olhos por segundos, agradecendo estar vivo.

Ou seja, mesmo hiper-mega-super conectado, quem fica 24 horas ligado são meu celular e Ipad. Eu desligo e curto a vida. Curto as relações. Curto meus amigos, minha família, meu amores diários.

Tenho amigos de mais de 10 anos. Não acredito que foi sorte eu tê-los e, sim, foi sendo um bom amigo que consegui mantê-los. Ficamos meses, anos as vezes sem nem uma palavra. Mas quando nos encontramos, parece que a separação tinha sido por um brevíssimo tempo.

Já dizia um antigo texto que, amigo é aquele que nos conhece bem e mesmo assim ainda gosta da gente.

Aprendi com eles a ser verdadeiro, sincero, puro. Aprendi a não mentir para quem amo, nem esconder o que possa vir a machucá-los. Aprendi a ser verdadeiro comigo mesmo. Aprendi a amar sem esperar nada em troca. Aprendi que amizade e sexo não combinam, pois a amizade é muito superior e pura que isso. E o amor entre amigos também.

Dedico este texto a um grupo seleto de amigos, que completam ou estão completando mais de uma década me aturando. Dedico também a minha sobrinha Z, meus alunos Y e  meus amigos X.

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