Matando-me suavemente

Strumming my pain with his fingers
Singing my life with his words
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life with his words
Killing me softly, with his song

Na música Killing me softly ( Matando-me suavemente) do The Fugees, gravado também por vários famosos como Roberta Flack, Alicia Keys e Lauryn Hill, fala da dor, de morrer devagar por algo. Acredito que a dor é um excelente combustível para escritores, poetas, músicos, compositores, pessoas mais sensíveis.
Existem vários tipos de dor e, certamente, todas elas, por mais se escreva ou se cantem, nunca serão compartilhadas na íntegra. Isso porque a dor é pessoal, como o amor. Ninguém nunca saberá o quanto de dor que temos. podem adivinhar, por ter passado por algo parecido. Mas nunca será igual. Porque não somos seres iguais...
A dor derruba, rasga, acaba com a gente. A dor sangra um sangue invisível e, nem verter lagrimas resolve. O único remédio é o tempo e este, haje no seu ritmo, do seu modo.
Não acredito que a dor de um coração partido passe nunca. Deixa marcas, cicatrizes. As feridas abertas, só o tempo resolverá, mas as marcas ficarão, eternamento. Não acredito em deixar de amar, e sim, se acostumar com o amor partido. Nos acostumamos a não ter mais, nos acostumamos com a dor da ausência. Um dia, simplesmente, acordamos e descobrimos que aquela dor, antes lancinante, que chega a nos sufocar esta mais fraca, a ponto de nem notarmos mais. Pronto. Cicatrizou. Mas no espelho, as cicatrizes aparecem. Não há muito o que se fazer. Mas pretendo continuar amando e perdoando, isso sim, isso ajuda a amenizar.
Como dizia o poeta Vinicius no Soneto da Separação:

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
E assim, calada, não mais que de repente, ela vai sumindo.

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